sexta-feira, 4 de maio de 2012

Tempos conturbados

O final do ano de 2011 e os meses iniciais de 2012 não foram um mar de rosas. Foram daqueles meses que só queremos apagar da memória. Foram terríveis em quase todos os quadrantes... Principalmente a nível de saúde e financeiro.

Não posso dizer que perdi a conta às visitas ao hospital e aos internamentos porque são daquelas coisas que ficam marcadas e demora um tempo a esquecer. Foram muitos "passeios" até às urgências e nunca até então tinha estado tão familiarizada com os espaços da urgência e internamento da pediatria.

Foi-me (nos) realmente difícil conciliar os períodos de doença e de internamentos da nossa florzinha de estufa Francisca com toda a dinâmica familiar. Dei por mim a entrar numa tremenda espiral descendente. Quando estava com a Francisca sentia-me a falhar com os que deixava em casa, quando estava em casa sentia-me a falhar com a Francisca. Sentia-me mal por sentir que estava a dar muito trabalho aos meus pais, que os estava a sobrecarregar em demasia, com os netos e a lida da casa. E logo eu que não tenho necessidade de ter de ser eu a fazer tudo, que não tenho problemas em delegar quando necessário. Sentia-me realmente a abusar da ajuda deles e a perder o controlo das questões domésticas e da educação dos outros miúdos.

Ao fim do segundo longo internamento da Francisca, dei por mim obcecada com a necessidade de a manter saudável e longe do hospital. Foi uma fase muito complicada, mal deixava os irmãos chegarem-se perto dela, andava sempre atrás deles para lavarem as mãos, nada de brincadeiras na rua para não se constiparem, nem idas a casa de colegas e muito menos colegas a vir a casa. Os miúdos andavam fartos deste controlo todo, quase dia sim dia sim haviam discussões e gritos, a minha relação com os miúdos e com o meu marido sofreu muito.
Assim que ouvia alguém fungar ou espirrar, era o pânico. Cada vez que a Francisca ficava doente e tínhamos de voltar ao hospital, medicamentos, internamento, sentia-me a pior mãe do mundo, a falhar com ela por não ser capaz de a manter saudável. Um sentimento terrível, pensava muitas vezes no que estaria a fazer mal com ela, já que tinha conseguido manter os outros livres de doenças graves com a idade dela...

Foi muito difícil ver e admitir que estava fora do meu alcance controlar tudo para impedir que a Francisca adoecesse. Perceber que tinha de relaxar e viver um dia de cada vez, sem ansiedades e sem medo de algum deles adoecer. Ainda é um trabalho diário, não entrar em pânico cada vez que a Francisca espirra, ou quando qualquer um dos outros espirra. Mas felizmente estamos todos a recuperar destes tempos neuróticos que vivemos e a paz e a tranquilidade aos poucos vão chegando e vamos todos voltando à normalidade.

Este ano, mais do que nunca, cá em casa estamos todos ansiosos pela chegada das férias de verão para que possamos ir relaxar e aproveitar a vida e a família.

12 comentários:

CM disse...

Vai correr tudo bem de certeza. Percebo tudo o que descreveu... Ansiedade de mãe já é dose, se for acompanhada por gémeas, prematuras e com algumas facilidades nas imunidades adquiridas, piora um pouco!
Beijinhos e vamos esperar que o Verão já está quase aí.

CM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
akombi disse...

Fiquei arrepiada e cheia de solidariedade, não que tenha passado pelo que descreves, mas pq sou mãe e mãe compreende outra mãe.

Espero que nunca mais passem por situações assim, o melhor está para vir, beijinhos.

Mamã Petra disse...

Maria fiquei mesmo triste de saber o que se passou e os motivos pelos quais estiveste longe, e não nos deste noticias, estes tempos conturbados e o facto de os estarem a ultrapassar faz de ti e da tua familia uma familia fantástica que eu tanto admiro. Desejo-te tudo de bom e que as coisas agora melhorem com o crescimentovão criando mais defesas. Beijinhos grandes para a mãe mais fantástica que conheço

pataniscaepatareca disse...

espero que ela ja esteja melhor, ve-los doentes dá-nos sempre um aperto no coraçao, mas quando eles sao mais "frageis" ainda pior ficamos.
mas se me permites, ela tem o que? prq é que ela fica assim tao doente e tantas vezes?
bjocas e as melhoras :)

Sofia disse...

Percebo-te perfeitamente, embora não tenha passado por nada semelhante. A meu ver, só demonstra que és uma excelente mãe, uma filha e esposa conscienciosa. Acho que estás a ser demasiado dura contigo, nós nunca falhamos com os filhos e um dia todos vão compreender isso...fazemos o melhor que conseguimos, todos os dias.
Desejo-te tudo de bom daqui para a frente, para que as boas memórias possam atenuar um pouco aquilo porque passaste.
Bjinhos grandes

claudia disse...

ola! ate estou arrepiada com o q escreveste! espero q realmente as coisas entrem na normalidade ai em casa, n deve ser facil gerir com tantas pessoas e emoçoes a mistura! es mm um grande mulher! porq tens levado o barco adiante, mm q c ajuda! as vezes a linha entre a realidade e a loucura torna se mt tenue! força, aguenta ai q tens uma familia linda!

Rita disse...

vai correr tudo bem :)e as férias estão já aí!!

Monica Lourenço disse...

Minha querida, é uma ansiedade e sofrimento muito grandes.
Espero que corra tudo bem.
Um grande beijinho.

Carla Isabel disse...

É normal.

És uma super mãe!Nem duvides!
Pos isso te foste tão abaixo e colapsaste...
Agora toca a arrebitar.

Calma e serenidade!

Beijinho doce

D. disse...

:( Esperança e muita fé, que vai correr tudo bem.
Uma mãe é ansiosa q.b. por natureza, principalmente em situações assim complicadas.
Tudo de bom

Tranças disse...

Olá, já não passava aqui à algum tempo, de repente vi-te ausente...
Acredito que não seja fácil, e lamento que assim o teve de ser...mas agora já deves estar bem melhor e a recuperar essa força toda.

Uma beijoca muito grande